Não tenho qualquer ambição de ser político, aprendi cedo, ainda na escola secundária, na febre juvenil das eleições para a associação de estudantes, que o meu estômago não é para esses voos. E digo isto sem ponta de desprezo por quem exerce as funções, até porque muitos só o fazem porque outros, eventualmente mais capazes, se acomodam a uma vida mais confortável e recatada, mesmo sem opíparas e quantas vezes enfastiantes jantaradas, passeios a alta velocidade em automóveis grandes e luxuosos e férias em locais longínquos, enclausurados durante alguns dias em estâncias balneares limitadas a alguns milhares de metros quadrados.
Mas se não é preciso ser um reconhecido técnico de finanças públicas para dizer o que o nosso ministro maismediático alegadamente terá afirmado, também não é preciso saber muito de política para imaginar que tais palavras são totalmente ocas e não servem para mais do que desgastar ainda mais a imagem de alguém que tem uma das fracções maiores da responsabilidade de nos levar a bom porto nos próximos tempos e que necessita da maior tranquilidade para o desempenho das funções.
Creio que, propositadamente, o senhor ministro da economia tem-se mantido resguardado do mediatismo da comunicação social, uma vez que está muito longe de ser um comunicador. Ao senhor ministro das finanças, pensando no anterior igualmente competente em termos de capacidade técnica e até algo melhor comunicador, acredito que muitos dos cabelos se tornem rapidamente brancos e que num ápice se comece a cansar do lugar se ninguém manifestar interesse ou for capaz de o resguardar nos próximos tempos. Em linguagem de ciclista, era bom que outro subisse à cabeça do pelotão.