sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Para lá do risco

Foi-se o tempo de arriscar. Nas amizades, no emprego, nos afetos. Havia muita vontade, sonhos, entusiasmo e era possível queimar etapas e jogar nas margens com esperança de que corresse bem. Correu quase sempre bem, foi possível construir bases sólidas que permitem que agora se possa jogar pelo seguro.

O que é necessário corrigir pode sê-lo com segurança, haja paciência e sangue frio. Implica uma escolha com dor, será um mal menor. Preservar a integridade da Família é muito mais importante.

Mas não evita que o impensável tenha acontecido.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A cena de filme

Passaram quantos anos, aí um quarto de século, passei algumas vezes por aquela estrada, de carro e até de bicicleta. Desta vez lembrei-me, lembrar lembro-me sempre, agora é que o pensamento foi mais além, talvez pelo tempo quente e húmido, ou a hora do dia, ou a música, diferente, já não Vivaldi, nem sequer gravada, era a da rádio escolhida pela mais nova. Naquele dia o carro nem era meu, não tinha nenhum, já não me recordo que tipo de planos imaginava para quem ia ao meu lado mas sei como sou, pelo que nos veria no mesmo cenário de ontem, com os mais novos no banco traseiro, não estes porque os pares das cadeias em hélice não o permitiriam mas outros que me tratariam da mesma forma. Qual cena banal de filme americano, vi-me no presente igual ao futuro que tinha projetado, tendo ao meu lado quem queria ter, nomes à parte que não é do nome que se trata mas de quem connosco faz a caminhada ou, no caso, a viagem pela estrada.
 
O prazer de percorrer sem pressas a estrada que sobe o vale do Cávado a caminho do Rio Caldo, esse, é o mesmo, assim como a paisagem melancólica de chuva miudinha e folhas castanhas ou amarelas que dão uma enorme vontade de por lá ficar mais uns dias, ainda que sabendo que a cara e o cabelo ficarão molhados sempre que saiamos para sentir o cheiro tão forte quando agradável do outono em tão bela região.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A marca de que se fala

Tenho dois carros daquela marca e passei recentemente a conduzir outro de uma marca do mesmo grupo. Dos três, só este último poderá ser um dos que tem um dos motores em causa. Por formação tenho obrigação de perceber o que está em causa em tão grande polémica, pelo que me espanta tanta falta de informação e tanta tinta, sobretudo virtual, vertida sem que se faça a mínima ideia daquilo de que se fala. Ainda ontem, o comentador do regime, que ouço regularmente e respeito mas a quem atribuo o defeito de comentar tudo, aquilo de que sabe e o resto, veio falar em carbono, entendo que se referia a emissões de dióxido de carbono quando o que está em causa são as emissões de óxidos de azoto.

Não sei se há manipulação de resultados no caso dos Estados Unidos, já que a legislação de lá sobre os óxidos de azoto é muito mais apertada do que a europeia. Sei que nisto dos motores dos automóveis não há segredos e que se uns não cumprem os outros também não poderão cumprir. E também sei que qualquer alteração que haja será sempre no sentido de maior consumo de combustível e aplicação de dispositivos mais caros e com custos de manutenção mais elevados.
 
Cheira-me que ainda muito se vai falar e que a montanha, pelo menos no que ao continente europeu diz respeito, parirá mais um rato.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Chove que as nuvens negras a dão

Para saciar a terra ressequida. Agora que os tomateiros tinham aberto a primeira flor, sim, em setembro a primeira flor. Essa coisa das hortas urbanas não passa de um mito para compor textos bonitos em revistas que não interessam nem a cristo recém-nascido. Mas comi os pepinos, se é que lhes posso chamar isso, já que nunca os tinha visto já maduros com dez centímetros de comprimento.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Os genes

Passados vinte e oito anos os meus genes voltam à mesma escola dos grandes. Na realidade não é a mesma, mudou de local, agora é moderna, consta que muito maior, que eu só lá entrei duas vezes e não passei das salas mais próximas da entrada. Já não fica no centro histórico, agora estão lá outros, muito menos do que os dos cursos da ferrugem, do pó e das ciências ocultas que picam se encostamos a mão ao fio.
 
Sempre lhe disse que podia estudar o que quisesse mas era muito importante que o fizesse numa escola de referência. Teve a liberdade de escolher a que quis, ficar perto de casa teria vantagens, mas se quisesse ir para longe teria o nosso apoio. Foi colocado na mesma, não no mesmo curso, mas quis o destino que naquele para onde eu queria ir quase até à altura de fazer a escolha no papel que então se preenchia à mão, com esferográfica. Ainda que por razões diferentes, eu sonhava comandar as máquinas num cenário paradisíaco muito longe das grandes cidades, ele vê-se a bater teclas todo o dia e todos os dias a fazer sei lá bem o quê que faça funcionar telemóveis ou impeça os comboios de irem uns contra os outros ou nos faça pagar a passagem na autoestrada sem bem saber que nos foram ao bolso mais uma vez.
 
Estou muito contente e satisfeito, sinto que conseguimos ultrapassar uma das grandes barreiras que a função parental nos coloca. E estou muito orgulhoso do meu rapaz!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Salada grega

É melhor do que uma novela da TVI. Nessas, até a minha filha adolescente é capaz de adivinhar o que se vai passar a seguir, na Grécia tudo é completamente inesperado, nem os comentadores de fim de semana acertam um único palpite.

Se há uns dias pensava que o referendo seria o desempate por pontapés da marca da grande penalidade agora acho que, a realizar-se, será apenas mais um pequeno capítulo de uma trama que parece estar para lavar e durar. De volta às novelas, está naquela fase em que são anunciados os últimos capítulos, o que se faz quando ainda faltam uns três meses para acabar. À escala grega isso equivale aí a umas três décadas.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Senhora da Graça

Foi mais uma aventura. Saída de manhã cedo, não tão cedo quanto o calor previsto aconselhava, pedalada defensiva que o objetivo a isso obrigava. Uma escaramuça a subir à saída de Felgueiras, quando nos juntámos com um outro grupo até à entrada de Fafe e depois a subida da Lameirinha e o planar suave até Mondim. A Senhora lá olhava para nós, ainda fomos até ao início da subida e alguns, que não eu, prosseguiram até à bica. Tivesse quem me trouxesse de volta depois da descida e teria sido desta que lá tinha subido, mas como não tinha outra coisa planeada que o regresso pelo mesmo meio, lá ficou tão desejada subida adiada para melhor dia. Quando cheguei ao final, 190 km depois da partida, eatava com pedalada para tentar a subida, caso ela estivesse à minha frente. Mas isto é como os melões, só depois de abertos se sabe se são doces.